sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Adeus Mãe!

Nunca pensei que este dia chegasse. Só estás tu, o Padre e eu, e um pequeno chilrear de um pássaro. Está de chuva, mas eu nem a sinto. O Padre fala mas eu não o consigo ouvir. Não consigo aceitar o facto de já não puder dizer-te “Adoro-te mãe!”, de não puder ajudar-te a descer as escadas, de te dar a mão e ajudar-te a levantar.

Perdoa-me se alguma vez te fiz sofrer, foi sem intenção. Perdoa-me se não te demonstrei que te amava mais vezes. Perdoa-me.

A culpa foi toda minha, eu não devia ter saído naquela noite. Antes de sair de casa, não conseguia encontrar as chaves, era quase como um aviso, “Não saias, é melhor!”. Estavas tão feliz por mim. Deste-me um beijo na testa e disseste, “Boa sorte!”, foi a ultima coisa que me disseste.

Eu não devia ter bebido tanto, não devia ter conduzido, eu não devia ter morrido.

Agora estamos aqui, eu vejo-me ali deitado naquela caixa, tu a chorares e o raio do Padre não se cala.

Enfim, é o destino, não mandamos nele.

Não te preocupes, eu fico bem, vou ficar a olhar por ti, em breve estaremos juntos.

É uma luz tão forte, tão grande, tão quente. Não posso ficar mais tempo, Eles não deixam.

Até um dia, até um dia de sol. Adeus Mãe!