sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Adeus Mãe!

Nunca pensei que este dia chegasse. Só estás tu, o Padre e eu, e um pequeno chilrear de um pássaro. Está de chuva, mas eu nem a sinto. O Padre fala mas eu não o consigo ouvir. Não consigo aceitar o facto de já não puder dizer-te “Adoro-te mãe!”, de não puder ajudar-te a descer as escadas, de te dar a mão e ajudar-te a levantar.

Perdoa-me se alguma vez te fiz sofrer, foi sem intenção. Perdoa-me se não te demonstrei que te amava mais vezes. Perdoa-me.

A culpa foi toda minha, eu não devia ter saído naquela noite. Antes de sair de casa, não conseguia encontrar as chaves, era quase como um aviso, “Não saias, é melhor!”. Estavas tão feliz por mim. Deste-me um beijo na testa e disseste, “Boa sorte!”, foi a ultima coisa que me disseste.

Eu não devia ter bebido tanto, não devia ter conduzido, eu não devia ter morrido.

Agora estamos aqui, eu vejo-me ali deitado naquela caixa, tu a chorares e o raio do Padre não se cala.

Enfim, é o destino, não mandamos nele.

Não te preocupes, eu fico bem, vou ficar a olhar por ti, em breve estaremos juntos.

É uma luz tão forte, tão grande, tão quente. Não posso ficar mais tempo, Eles não deixam.

Até um dia, até um dia de sol. Adeus Mãe!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tipicamente Tipico!

Deixei cair a merda dos óculos!

Não vejo a ponta dum corno.

- Maria!! Acende a merda da luz!!! Não vejo nada caralho!

- Fala bem que já tens dentes! Não há luz! Pagasses a merda da conta cabrão!

- Puta!

- Eu ouvi isso!

- Não era contigo querida!! Fui eu que me aleijei no pé!

sábado, 25 de setembro de 2010

Uma faca no coração

Foste embora! Porquê? Não tinhas tudo? Faltou-te alguma coisa? Fala! Diz-me porquê! PORQUE CARALHO TE FOSTE EMBORA?!

Saiste com uma desculpa de merda, ias visitar a tua amiga Sara. Eu sabia que essa tua “amiga” chamava-se era Victor! Esse filho da puta andava a rondar-te desde que o conhecemos naquele jantar de aniversário. Com um ar de chico esperto, armado em garanhão com a mania que tinha piada.

Agora diz-me o que é que esse filho da puta tinha que eu não tinha? Dinheiro? Era dinheiro? Era o quê? Ele dava-te prendas caras era isso? Aquele colar d’ouro foi ele que te deu? Aquelas chamadas a meio da noite, aquelas boleias até casa, aquela risota cada vez que eu saía da sala! Era um filha da puta de um corno manso era o que eu era. Eu podia ter-te dado tudo o que tu querias, tudo.

Mas agora é tarde demais, esse paneleiro de merda já não rouba a mulher de ninguém.
Devias ter visto aquele “grande homem” a chorar baba e ranho, a pedir de joelhos que não disparasse, foi lindo! Disse que te deixava sem pensar duas vezes, sem pensar duas vezes. Devias ter vergonha deixar-me por aquele merdas, eu morreria por ti, eu daria tudo o que tivesse e o que não tivesse por ti, bastava pedires, era isso o quanto eu te amava. Mas não, tiveste de te armar em puta, e partiste-me o coração.
Eu morreria por ti mas agora vou morrer por tua causa.

O teu namoradinho está em casa dele dentro do cesto da roupa, por esta altura deves estar a chegar aqui a casa, vais chegar tarde. O revólver que o matou é o mesmo que me vai tirar a vida, é simbolico sabes, é como se fosse a tua mão. Tu mataste-o quando me deixaste, a mim mataste-me muito antes disso, quando deixaste de me olhar nos olhos, quando deixaste de dizer que me amavas, quando deixaste de te entregar de corpo e alma.

Quero qure sofras tanto quanto eu sofri por tua causa.

Adeus puta de merda. Vemo-nos no inferno.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pesadelos de morte

Nunca pensei estar nesta situação, deitado nesta cama fria com esta bela mulher vestida com uma bata verde e com uma faca na mão a preparar-se para me abrir o peito.
Já gritei, já me tentei levantar, já chorei mas ninguém me ouve, estou preso neste momento, tudo pára menos a faca.
Dói, dói muito o primeiro corte. Aquele metal frio que corta a nossa carne como se fosse manteiga, que nos rasga a pele que nos tortura em silêncio. A dor é insuportável, quero sair daqui, quero-me levantar, mas não consigo as minhas mãos não me respondem as minhas pernas não se mexem.
Ela olha para mim com um olhar de quem percebe a minha dor, de quem sabe que dói mas que pouco ou nada pode fazer. Sinto-me tonto, já não sinto as pernas, já não sinto os braços nem o peito, já não sinto o coração. Perco-me naqueles olhos azuis. Que olham para mim enquanto as suas mãos retiram o meu cora...................



"É mais fácil suportar a morte sem pensar nela, do que suportar o pensamento da morte sem morrer." (Blaise Pascal)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Rambo em cuecas contra a Fada Verde

Sábado de manhã

Olho para o relógio, marca 07:35 da manhã, acordei sobressaltado com um barulho que me pareceu vir da cozinha. Levanto-me meio tonto, dá-me uma pontada na cabeça, relembra-me da noite de copos com a malta da empresa, quando digo com a malta da empresa, digo sozinho a um canto a emborcar que nem um perdido. Tento passar pelo meio de tanta roupa no chão, tropeço numas calças velhas que já deviam ter ido para o lixo, mas ainda não tive paciência para isso. Na minha pequena sala de estar aventuro-me qual Indiana Jones em busca de um barulho perdido, vindo de um sitio escuro e húmido do qual ninguém entra á muito tempo.

Entro na cozinha e reparo que tenho a janela por detrás do lava-louças aberta, é uma janela demasiado pequena para alguém entrar. A bancada não difere muito do chão da sala, lixo por todo lado, restos de comida dentro de caixas de pizza, enfim uma panoplia de bolor para todos os gostos. Ouço algo a remexer no meio das caixas que estão encostadas a um velho frigorífico que faz mais barulho do que o meu carro, procuro apressadamente algo afiado no meio das gavetas, a única coisa que consigo encontrar é uma faca de manteiga, vou para a guerra com uma arma que a unica coisa que consegue matar é um bocado de gordura mole.

Avanço lentamente com a minha faquinha, eu um homem magrinho em cuecas, no meio de tanta lixarada com uma faca de manteiga a tentar defender o seu território.

Procuro com os olhos entre os pequenos espaços naquela montanha de cartão, volto a ouvir um passinhos pequenos e rápidos, tenho a certeza que é um rato, a questão é, de que tamanho?! De repente quando estou quase a tocar num dos caixotes, zás, um mostrengo pequeno verde sai disparado de lá de dentro, dou um salto para trás tão grande que fui bater com as costas na ponta da bancada. Enquanto tento lutar com uma dor tão intensa que me fez lágrimas nos olhos, tento procurar com o olhar uma pista que me indique a direcção que aquele pequeno monstro verde tomou. Recomponho-me lentamente enquanto tento endireitar as costas, para enfrentar aquela coisa de peito aberto. Passo a sala a pente fino com o olhar há procura de um sinal de vida, procuro um pouco mais as gavetas da cozinha e encontro finalmente uma arma digna de um soldado como eu, um rolo da massa!

É então que algo espantoso acontece, ouço uma pequena voz que diz:

- Não me faças mal! Eu só queria comer qualquer coisa.

-Quem és tu? Que estás aqui a fazer? Como é que entraste aqui?

Pergunto ainda a procura de uma razão lógica para aquela voz, olho para a televisão na esperança de estar ligada e de eu não estar a enlouquecer. Reparo em movimento debaixo do meu cadeirão velho, onde passo a maior parte dos meus tempos livres a jogar online, ponho-me de joelhos e espreito de longe e vejo aquela pequena figura a tremelicar meio escondido entre uma das pernas do cadeirão.

- Podes sair dai, eu não te vou fazer mal. – digo com um nervosismo notável no tom da minha voz- eu prometo que não te faço nada.

- Prometes?

- Prometo.

Nunca o meu queixo se tinha aberto tanto nem os meus olhos estiveram tão esbugalhados, enquanto eu vejo um pequeno homenzinho completamente vestido de verde com umas asas que me pareciam asas de borboleta também elas verdes, a saírem debaixo do cadeirão. Fiquei imóvel ao vê-lo aproximar-se cautelosamente de mim com um sorriso nervoso na cara. Parou ao pé da estante onde guardo os jogos e alguns livros.

- Olá! – exclama o pequeno homenzinho.

- Olá! Quem és tu? – pergunto eu ainda de joelhos, com o rolo da massa na mão e em cuecas, uma imagem digna de um filme de comédia.

- O meu nome é Fada Verde! Muito Prazer.

-As fadas não existem! – riposto com um ar confuso.

- Claro que não, nem o Pai Natal, nem o Coelhinho da Páscoa somos todos fruto da vossa imaginação! – responde-me dando uma risada que me fez pensar que ele estava a gozar comigo.

- Vais-me desculpar mas é a primeira vez que vejo uma coisa como tu!

- Hey! Eu não sou uma coisa, sou uma Fada, a Fada Verde. Uma das ultimas, e deverias considerar uma honra teres uma conversa comigo.

- Não me leves a mal, mas eu ainda não consigo acreditar nos meus olhos. Como é que eu sei que não estou a sonhar?

- Bom há uma maneira simples!

Vejo-o a correr com aquelas pernitas muito pequeninas a vir na minha direcção, sem saber o que fazer limito-me a observa-lo enquanto avança para mim, de repente PUMBA dá-me um pontapé mesmo nas jóias de família. Confesso que jamais conseguiria prever aquela situação, mas deu-me a certeza de não estar a sonhar.

- Que é que te deu?!? És maluco? – pergunto aos gritos numa posição fetal agarrado aos meus pequenos.

- Hey não te queixes tu é que quiseste ter a certeza de que não estavas a sonhar!

- Fodasse não era preciso bater com tanta força! – digo entre gemidos.

- Jovem, vê lá se me ouves ok? Q U E R O C O M E R, T E N H O F O M E! Uma fada como eu precisa de se alimentar.

- Primeiro não sou teu criado, segundo não sou teu criado e terceiro, adivinha, NÃO SOU TEU CRIADO.

- Pois é, tens razão não és meu criado, mas se me chamaste agora alimentas-me. – Responde-me com um altivo de quem quer pode e manda.

- EU?!? Eu não te chamei sua coisa pequena e nojenta. Tu é que me acordaste! Com esse tamanho tens uns pés demasiado grandes.

De repente sinto outro pontapé em cheio na canela, garanto-vos não deu tanto como o primeiro.

- OK, agora chega – digo com uma voz ameaçadora – Se não te fores embora agora dou-te com o rolo da massa!

- Ok Ok eu vou mas para a próxima pagas-me seu bêbado! – e como por magia PUF desapareceu, deixando apenas um rasto verde no lugar onde estava.

Senti um alivio enorme por aquele pesadelo ter acabado. Atiro o rolo da massa para cima da bancada e atiro-me para o cadeirão. Agarro-me a única coisa que me pode voltar a adormecer, a bebida. Sento-me relaxado agora que aquela coisa desapareceu, meto a garrafa a boca e bebo quase tudo de um só gole. Olho para a garrafa, uma garrafa verde da qual nunca tinha visto, calculei que a tivesse trazido da pequena festa da noite anterior. Olho atentamente para o rótulo, “ABSINTO – A FADA VERDE”. OH NÃO!!!!!

Estamos de volta....

Boas juventude!

É com grande prazer que estamos de volta ao activo! Desta vez é que é.

Depois de ter estado muito tempo parado este blog recomeça agora um novo ciclo, dando asas á minha imaginação vou dedicar este blog ás pequenas histórias que escrevo quando tenho paciência.
Por isso agradeço que leiam e comentem, digam o que acham sem medo de represálias, mas não se esqueçam que eu sei onde voçês moram.

Espero que gostem, eu sei que vou gostar.